Descobrindo cores na cidade cinza

Há dias que venho pensando em como começar, desenvolver e finalizar um texto sobre a viagem que fiz à São Paulo na semana do dia vinte e um a vinte e nove de Janeiro. Agora mesmo, depois dessa primeira frase, já acho que não é suficiente pra continuar. Eu apagaria, mas dessa vez eu vou deixar assim, sem saber se ficou totalmente do jeito que eu queria que ficasse. E então focaremos no modo sincero e primário da escrita – a nudez da palavra, digamos assim.

É difícil citar todos os acontecimentos dia a dia, com detalhes e nomes próprios completos a cada frase e, mesmo sendo o correto, eu não vou fazer. É simples, não vou fazer o clichê roteiro de viagem, mas vou falar do que vivi por lá. A primeira coisa – e mais importante, registre-se – que eu preciso dizer é que estive em família. Talvez eu devesse esperar pra falar disso no fim do texto, mas é tão necessário dizer isso agora que friso bem no início. Não era simplesmente estar na casa de uma família e sim sentir que fazia parte dela, isso desde que coloquei os pés na casa de Victor Martins, o irmão mais velho.  Eu passei uma semana com a minha família paulista, com meu pai paulista e com minha mãe paulista, simples assim. E eu creio que essas breves linhas já deixam claro os meus sentimentos para com os que me acolheram de maneira tão cortês e educada. Soy grato, ad eternum.

Não cheguei sozinho na residência dos Martins. Rodrigo, o halterofilista, e Borgo, o “caipinga”, também estavam juntos no primeiro dia. E já no primeiro dia fomos ao bar – boteco como carinhosamente gosto de chamar os locais onde se pode beber como se amanhã não houvesse. Pois mal sabia eu que aquele Charme seria um dos lugares que mais gostei de frequentar até aqui. Singelo, tamanho médio, mas com mesas nas calçadas. Do jeito que deveria ser, com cerveja sempre gelada, enfim, belo bar. Por ali falamos as mais diversas bobagens, todas vindas de mentes amplamente geniais. Era um excelente início de viagem. Morri dormindo em cima de um puff vermelho no escritório do Victor, onde juntamente com Borgo bebíamos algumas últimas Buds, depois faleci no colchão que então eu passaria a chamar de meu.

Não posso e nem quero descrever o dia a dia no esquema “meu querido diário”, logo, me desprendo da cronologia da história pra dizer que muito aprendi naquela semana. O que pra qualquer um soa como tempo breve, pra mim serviu pra guardar pra vida – e falo sério. Não demorou pra conhecer mais gente que até então eu só conhecia virtualmente. Como não tava fácil pra ninguém, segundo a Lucy, não tardou pra irmos à primeira e única festa da viagem. Pra ajudar na adaptação gauchesca aos ares paulistas, nada melhor do que o Beco, lugar que tanto frequento pelo sul, ser o destino na noite paulistana. Foi uma bela festa, onde pude descobrir mais ainda o gosto do sotaque paulista, digamos dessa forma. Peço licença pra citar uma música por agora, ao lembrar que não citei a Cintia até aqui. Ouçam, senhores.

Desamparado talvez seja uma boa palavra pra falar sobre o pós-festa, mas “And in my mind I still need a place to go / All my changes were there” se encaixaria melhor no contexto que envolveu festa e pós. Mas sigamos, porque conversando a gente se entende e as pessoas boas nunca guardam o negativismo.

Vieram mais bares, mais cervejas, aniversário do Rodrigo, mais pessoas geniais, mais risadas, (muito) mais comida e alegrias. Resumidamente eu poderia dizer que já me sentia acostumado com a cidade grande, mesmo que eu tenha visto somente nem sei quantos poucos porcentos de São Paulo. Certamente o pouco contribuiu muito e foi muito mais do que eu esperava. Tudo que englobou a viagem superou as expectativas, em todos os sentidos que se possa pensar. Eu certamente vou esquecer de citar algo genial até o fim desse texto, mas me peçam pra falar da trip numa mesa de bar, com cerveja na mão, que em alguns minutos ficarei em chamas e empolgação absurda. Na semana conheci também mais gente sensacional, dentre elas o Torrão e sua Mama Ciotti, a carioca surrrfixxxta Nanda, a Dea e a muy graciosa mineira Ludmila. Foi uma noite de excelentes conversas e boas risadas, mérito de todos.

A sexta-feira do dia vinte e sete de Janeiro entrou pra história porque fazia tempos que não dava tanta risada em meio a tantas pessoas absurdamente geniais. Foi na sexta que conheci a esmagadora maioria das pessoas que mantenho contato diário por essa rede social de microblog, como dizem os plin-plins. Como ficaria uma bíblia se eu fosse citar um por um, mas sem querer esquecer de quem fez parte disso tudo, quero agradecer de coração aos digníssimos senhores Moret, Cuencas, Lobo, Fagner, Portes, Leo Rossatto, Guilherme, Caique e os outros malucos que importunei sem saber o nome, e agradecer também às belas Julia, Mayra e atendentes do bar por aturarem o comportamento demente deste que vos escreve. Sinceramente, todos vocês são pessoas de bem e que merecem grande futuro pela frente, mesmo. De propósito deixei de citar um cidadão, justamente porque esse guri já me ajudou muito em pouco tempo em que o conheço. É uma honra chamar Arthur Chrispin de meu amigo. Meu amigo punk, é claro. Hora de ouvir mais uma música.

Domingo era o dia de ir embora, mas também era aniversário do pai paulista. No almoço, a feijoada sensacional que a mãe paulista preparou. Quem ler pode pensar que eu não me lembro dos nomes, mas eu sei, é claro, só que eu não chamo meus pais pelo nome e então não chamarei os pais paulistas assim também. Falei pouco no domingo, porque o muito que eu falasse poderia ainda ser pouco pro que eu queria passar à família Martins. Ao Victor, principal mentor de toda a viagem, então, era praticamente impossível de expressar o quão grato eu era por aquela semana vivida. Mas deixei um abraço, sincero e curto, mas de grande representação.

Por fim, queria dizer que foram dias inesquecíveis – oi, clichê – e que eu não vou esquecer jamais por tudo que representou. Foram momentos de lembrar que a vida é grande demais pra gente um dia pensar em não fazer mais parte dela. Momentos de grandeza de caráter mesmo nas adversidades e confirmação de que amizade e irmandade independem de acertos, erros, tempos ou lugares. No voo de volta a saudade já batia, a vontade de dar um abraço em cada um que conheci apareceu, o desejo de voltar em breve pra rever todo mundo e poder dar mais risadas ainda fez-se presente e a certeza que fiz a escolha certa das amizades se concretizou pouco antes do avião colocar as rodas em solo gaúcho. Voltei com as mesmas roupas que levei, com o mesmo perfume que usei, com bem menos dinheiro no bolso, mas com uma bagagem de vida e aprendizado que até aqui não tinha conhecido e vivido.

Gracias, amigos.

2 respostas para Descobrindo cores na cidade cinza

  1. “Momentos de grandeza de caráter mesmo nas adversidades e confirmação de que amizade e irmandade independem de acertos, erros, tempos ou lugares”. É isso, irmão.

  2. Arthur Chrispin disse:

    Woodstock é meu destino, mas eu chego.

    Chego sempre que precisar, irmão. Sempre

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