A vida é simples quando a gente tem em mãos o controle das situações, independente de quais elas sejam. Se tu sabe como se portar, o que fazer e, principalmente, o provável desfecho, fica muito mais fácil de seguir. Dizem que é a gente que complica a vida e, bem, isso é meio óbvio. A vida é uma coisa básica, é acordar, trabalhar, estudar, curtir algum entretenimento e esperar a morte chegar, na mais crua das análises. Ultimamente eu tenho visto a vida por esse lado, o lado sem sal, o cru, o lado sem motivos. Pessoas fantasiam demais sobre futuro, mas vivem se prendendo ao passado – e é claro que eu também.
Além do mais, somos todos hipócritas, sejamos sinceros agora. É muita gente envolvida em todo tipo de causa e atividade, enquanto do outro lado tem os que não se mechem por nenhum movimento organizado (eu sou um desses) e criticam tudo e todos (eu sou quase um desses). Eu não gosto de ambos. Sou um chato, resumindo. Talvez eu seja uma mistura do ranzinza com o hipócrita, a realidade é que eu enchi o saco das pessoas tentarem ditar o rumo que temos que tomar na vida. Não falo no sentido profissional, falo no pessoal mesmo. “Não coma carne”, “não faça piadas”, “faça exercícios”, “não fume”, “não beba”, “não foda”, “reze um pouco”, “busque ajuda”, sério, meu pau de óculos. Eu não quero a porcaria de alguém me ditando regras nos ouvidos, seja lá de que cunho seja.
Ok, devo confessar que sou um cara que tem influências e que essas podem durar muitos anos ou alguns minutos. Tenho assistido muitos vídeos do George Carlin, um cara que morreu em 2008 e quem quiser saber a história dele ou quem ele é que procure no Google. Pois bem, o cidadão é politicamente incorreto, seja lá o que isso quer dizer, mas fazia tempo que não concordava tanto com alguém. Ele é um cara que mostra como ter o controle da própria vida é benéfico e deve ser exercitado, ao contrário do que os milhares de programas de tv, rádio, passeatas, marchas, Facebook ou o caralho a quatro tentam te dizer.
Pois bem, eu nunca quis ter muito nexo desde que eu criei esse depósito de porcarias escritas sobre a ridícula coisa que eu chamo de “minha vida”, então esse texto obviamente não vai ter nexo algum pra muita gente. Acho que eu também nem sei por que escrevi.
Sei lá, assistam ao vídeo, procurem os outros, vejam alguém que opina sem meias palavras ou indo na onda da moda.
Nesse exato momento que escrevo fazem 20 dias que se passou a minha cirurgia e também é o último que vou usar o blog pra comentar sobre a recuperação. Isso porque já to legal, digamos assim. Obviamente que os cuidados como não bater e pegar sol direto continuarão sendo tomados, mas a respiração já ta normal e agora o processo de recuperação incomoda bem pouco. Entretanto, o que realmente não anda legal é a minha testa, que com o uso dos últimos remédios pra limpar a pele do rosto acabou por BROTAR espinhas e expulsar os cravos da mente, o que tornou aquela região algo bastante adolescente. Como considero tudo isso uma frescura inútil, finalizo por aqui. Se por ventura alguém quiser maiores INFOS de como anda a coisa, que me pergunte. Ah, sim, o motivo do título é básico: ainda não me acostumei com a mudança de aparência.
Hoje foi mais um dia de consulta ao dotô pra ver o andamento do pós-operatório e, para nossa tristeza, voltei com um caminhão de remédios anti-inflamatórios e sprays que mais parecem espingardas de líquido pra nareba. Tudo isso porque o bendito narizinho decidiu que deveria criar pequenas inflamações ali por cima, na região perto da testa. Nada perceptível por fora e também não muito nojento, fora aquela velha história do sangue jorrando – mentira, só sai de vez em quando. Continuo com as vias respiratórias bastante ENDUBIDAS justamente por esse problema citado, o que incomoda bastante, admito. A musculatura do rosto também já ta “soltando”, diminuindo um pouco aquele aspecto meio EIKE BATISTA de Botox que tava a minha cara. Fora isso e as constantes dores de cabeça que surgiram nessa semana, vai tudo bem.
Eu tive hematomas entre a mucosa do nariz e o septo, foram removidos duas vezes com seringa. Nada de mais, algo bem simples, mas chato. Respiro, digamos, 80% bem só pelo nariz. Ainda sai sangue e sinto como se tivesse resfriado, algo bem aceitável em uma semana. Como mostra a foto, to sem as bandagens em cima do nariz, mas ainda tenho os pontos, que aos poucos vão caindo.
Faltavam dois dias, depois foi adiado uma, duas vezes, até que no dia 16 de Abril o tão esperado dia chegou. Abraçado no problema de septo que sempre atucanou e atrapalhou este guri aqui – a respiração era bastante falha, apesar do fôlego ser muito bom -, resolvi juntar os pila e tocar ficha numa operação que mudaria bastante coisa, mesmo sendo pouca. Na tarde dessa segunda-feira, por volta das 16h, fiz uma rinoseptoplastia. Apesar do sucesso da operação, acabei tendo que ficar internado por um problema leve, tava saindo bastante sangue, um pouco além do normal, mas nada preocupante. Todo mundo sabe da minha repulsa por hospitais, logo, o martírio de passar a noite no São Lucas da PUCRS foi bastante chato. Ok, valerá a pena o “sacrifício”.
O pós-operatório não é nenhum terror, tampouco uma maravilha. Inchaço, incômodo, medo de que venha uma carreta e atropele a minha fuça, essas coisas. No hospital tava normal, mas quando cheguei em casa virei um asiático de tão inchado que tava embaixo e entre os olhos. O mais engraçado – e melhor – de tudo é que NÃO DÓI. Nada, tu não sente dor alguma, em momento algum. É chato, tu fica cheio de esparadrapos, tem que estar sempre com bolsas de gelo no rosto pra desinchar mais rápido e tudo mais, mas doer mesmo, não dói. O resultado final não tenho como saber ainda, mas hoje já ta bem melhor, desinchou bastante e consigo respirar pelo nariz ainda com certa dificuldade. Sem maiores detalhes, até porque a cirurgia não é algo muito bonito de se falar.
Não posso deixar de agradecer às três pessoas mais importantes nisso: Dr. Oswaldo Carpes, minha amiga Raquel Patel e meu brother Victor Martins. Dr. Carpes é um grande sujeito, um cara que fala na minha língua, sem aquela frescura de médicos com altas frases difíceis e tudo mais. Trocamos meia dúzia de palavras na primeira vez que consultei e já saí sabendo como seria o resultado e que era ele quem iria operar. Nas outras consultas, no dia da cirurgia e na consulta pós-operatória (dia 19/04) só ficou ainda mais claro que é um excelente profissional, que sabe tratar os clientes como amigos, como pessoas que querem ter uma auto-estima melhorada. A Raquel foi quem mais me deu apoio e ajuda nesse caminho até a cirurgia, principalmente nos momentos em que eu tinha certeza que não ia mais fazer. Nas últimas semanas agiu como uma verdadeira escudeira, dando apoio e relembrando o quanto eu queria e ia me fazer bem o resultado. Com certeza foi uma das pessoas que mais me influenciou nesse processo e quem eu vou agradecer sempre que possível for. Vitônez foi um cara que me apoiou desde que eu troquei uma ideia com ele sobre isso em São Paulo, foi um dos que mais enchi o saco com conversas sobre a cirurgia e do quanto esse troço me deixava apreensivo. Não sei muito bem como não me mandou tomar no devido orifício, mas sempre é bom saber que a gente tem apoio inclusive dos amigos de longe. A próxima cerveja em São Paulo eu pago – e de nariz novo. É claro, além destes três em destaque, não deixo de lado meu pai, que fez toda a mão de levar, buscar e essas coisas, minha mãe que ta cuidando de mim como se eu fosse um nenê e minha irmã, que ta quase mais empolgada que eu com o resultado. Família é família.
Por enquanto da pra se ter uma ideia de como vai ficar por essa foto que eu tirei hoje (ontem), dia 19.04, aqui em casa. Coloquei óculos porque embaixo dos olhos ainda ta bastante roxo, com hematomas, o que não é legal de ficar vendo. Durante as semanas eu atualizo com novas fotos, pra acompanhar a recuperação.
Eu também engordei um pouco, mas vamos com uma coisa de cada vez.
Há dias que venho pensando em como começar, desenvolver e finalizar um texto sobre a viagem que fiz à São Paulo na semana do dia vinte e um a vinte e nove de Janeiro. Agora mesmo, depois dessa primeira frase, já acho que não é suficiente pra continuar. Eu apagaria, mas dessa vez eu vou deixar assim, sem saber se ficou totalmente do jeito que eu queria que ficasse. E então focaremos no modo sincero e primário da escrita – a nudez da palavra, digamos assim.
É difícil citar todos os acontecimentos dia a dia, com detalhes e nomes próprios completos a cada frase e, mesmo sendo o correto, eu não vou fazer. É simples, não vou fazer o clichê roteiro de viagem, mas vou falar do que vivi por lá. A primeira coisa – e mais importante, registre-se – que eu preciso dizer é que estive em família. Talvez eu devesse esperar pra falar disso no fim do texto, mas é tão necessário dizer isso agora que friso bem no início. Não era simplesmente estar na casa de uma família e sim sentir que fazia parte dela, isso desde que coloquei os pés na casa de Victor Martins, o irmão mais velho. Eu passei uma semana com a minha família paulista, com meu pai paulista e com minha mãe paulista, simples assim. E eu creio que essas breves linhas já deixam claro os meus sentimentos para com os que me acolheram de maneira tão cortês e educada. Soy grato, ad eternum.
Não cheguei sozinho na residência dos Martins. Rodrigo, o halterofilista, e Borgo, o “caipinga”, também estavam juntos no primeiro dia. E já no primeiro dia fomos ao bar – boteco como carinhosamente gosto de chamar os locais onde se pode beber como se amanhã não houvesse. Pois mal sabia eu que aquele Charme seria um dos lugares que mais gostei de frequentar até aqui. Singelo, tamanho médio, mas com mesas nas calçadas. Do jeito que deveria ser, com cerveja sempre gelada, enfim, belo bar. Por ali falamos as mais diversas bobagens, todas vindas de mentes amplamente geniais. Era um excelente início de viagem. Morri dormindo em cima de um puff vermelho no escritório do Victor, onde juntamente com Borgo bebíamos algumas últimas Buds, depois faleci no colchão que então eu passaria a chamar de meu.
Não posso e nem quero descrever o dia a dia no esquema “meu querido diário”, logo, me desprendo da cronologia da história pra dizer que muito aprendi naquela semana. O que pra qualquer um soa como tempo breve, pra mim serviu pra guardar pra vida – e falo sério. Não demorou pra conhecer mais gente que até então eu só conhecia virtualmente. Como não tava fácil pra ninguém, segundo a Lucy, não tardou pra irmos à primeira e única festa da viagem. Pra ajudar na adaptação gauchesca aos ares paulistas, nada melhor do que o Beco, lugar que tanto frequento pelo sul, ser o destino na noite paulistana. Foi uma bela festa, onde pude descobrir mais ainda o gosto do sotaque paulista, digamos dessa forma. Peço licença pra citar uma música por agora, ao lembrar que não citei a Cintia até aqui. Ouçam, senhores.
Desamparado talvez seja uma boa palavra pra falar sobre o pós-festa, mas “And in my mind I still need a place to go / All my changes were there” se encaixaria melhor no contexto que envolveu festa e pós. Mas sigamos, porque conversando a gente se entende e as pessoas boas nunca guardam o negativismo.
Vieram mais bares, mais cervejas, aniversário do Rodrigo, mais pessoas geniais, mais risadas, (muito) mais comida e alegrias. Resumidamente eu poderia dizer que já me sentia acostumado com a cidade grande, mesmo que eu tenha visto somente nem sei quantos poucos porcentos de São Paulo. Certamente o pouco contribuiu muito e foi muito mais do que eu esperava. Tudo que englobou a viagem superou as expectativas, em todos os sentidos que se possa pensar. Eu certamente vou esquecer de citar algo genial até o fim desse texto, mas me peçam pra falar da trip numa mesa de bar, com cerveja na mão, que em alguns minutos ficarei em chamas e empolgação absurda. Na semana conheci também mais gente sensacional, dentre elas o Torrão e sua Mama Ciotti, a carioca surrrfixxxta Nanda, a Dea e a muy graciosa mineira Ludmila. Foi uma noite de excelentes conversas e boas risadas, mérito de todos.
A sexta-feira do dia vinte e sete de Janeiro entrou pra história porque fazia tempos que não dava tanta risada em meio a tantas pessoas absurdamente geniais. Foi na sexta que conheci a esmagadora maioria das pessoas que mantenho contato diário por essa rede social de microblog, como dizem os plin-plins. Como ficaria uma bíblia se eu fosse citar um por um, mas sem querer esquecer de quem fez parte disso tudo, quero agradecer de coração aos digníssimos senhores Moret, Cuencas, Lobo, Fagner, Portes, Leo Rossatto, Guilherme, Caique e os outros malucos que importunei sem saber o nome, e agradecer também às belas Julia, Mayra e atendentes do bar por aturarem o comportamento demente deste que vos escreve. Sinceramente, todos vocês são pessoas de bem e que merecem grande futuro pela frente, mesmo. De propósito deixei de citar um cidadão, justamente porque esse guri já me ajudou muito em pouco tempo em que o conheço. É uma honra chamar Arthur Chrispin de meu amigo. Meu amigo punk, é claro. Hora de ouvir mais uma música.
Domingo era o dia de ir embora, mas também era aniversário do pai paulista. No almoço, a feijoada sensacional que a mãe paulista preparou. Quem ler pode pensar que eu não me lembro dos nomes, mas eu sei, é claro, só que eu não chamo meus pais pelo nome e então não chamarei os pais paulistas assim também. Falei pouco no domingo, porque o muito que eu falasse poderia ainda ser pouco pro que eu queria passar à família Martins. Ao Victor, principal mentor de toda a viagem, então, era praticamente impossível de expressar o quão grato eu era por aquela semana vivida. Mas deixei um abraço, sincero e curto, mas de grande representação.
Por fim, queria dizer que foram dias inesquecíveis – oi, clichê – e que eu não vou esquecer jamais por tudo que representou. Foram momentos de lembrar que a vida é grande demais pra gente um dia pensar em não fazer mais parte dela. Momentos de grandeza de caráter mesmo nas adversidades e confirmação de que amizade e irmandade independem de acertos, erros, tempos ou lugares. No voo de volta a saudade já batia, a vontade de dar um abraço em cada um que conheci apareceu, o desejo de voltar em breve pra rever todo mundo e poder dar mais risadas ainda fez-se presente e a certeza que fiz a escolha certa das amizades se concretizou pouco antes do avião colocar as rodas em solo gaúcho. Voltei com as mesmas roupas que levei, com o mesmo perfume que usei, com bem menos dinheiro no bolso, mas com uma bagagem de vida e aprendizado que até aqui não tinha conhecido e vivido.
“Do fundo desta noite que persiste A me envolver em breu – eterno e espesso A qualquer deus – se algum acaso existe Por mi’alma insubjugável agradeço
Nas garras do destino e seus estragos Sob os golpes que o acaso atira e acerta Nunca me lamentei – e ainda trago Minha cabeça – embora em sangue – ereta
Além deste oceano de lamúria Somente o Horror das trevas se divisa Porém o tempo, a consumir-se em fúria Não me amedronta, nem me martiriza
Por ser estreita a senda – eu não declino Nem por pesada a mão que o mundo espalma Eu sou dono e senhor de meu destino Eu sou o comandante de minha alma”
- Invictus, de William Ernest Henley
Poema vitoriano que inspirava Nelson Mandela durante os 27 anos de prisão.
O ano chega ao fim e eu só queria agradecer a todos por terem tornado ele o melhor da minha vida. Meu sincero agradecimento por todos que me acompanharam pessoalmente ou virtualmente por 2011, vocês são todos importantes pra mim. Não preciso de listas ou de agradecimentos formais porque quem faz parte da minha vida sabe disso no dia a dia, porque eu nunca deixo de dizer. Obrigado à galera do Impedimento, ao pessoal do Twitter, à galera da Casa do Lado, aos amigos de perto e aos amigos de longe.
Feliz ano novo para todos vocês. Que curtam na base da paz e do amor.